Introdução
Manter a motivação para praticar atividades físicas de forma regular é um dos maiores desafios para muitas pessoas — especialmente para aquelas com dores nas articulações, artrose, tendinites ou dores do nervo ciático. Mesmo sabendo dos benefícios — como melhoria na mobilidade, menos dor, melhor disposição — muitas vezes o “começar” ou o “continuar” é o que falta.
Como professor de Educação Física e com foco no público da terceira idade ou com limitações, você sabe que a motivação não surge magicamente todo dia. Por isso, neste artigo destacarei estratégias concretas para manter ou recuperar a motivação, embasadas em pesquisas científicas, e voltadas para a prática, para que seus leitores consigam realmente adotar e manter o hábito.
1. Entenda o que motiva — e o que desmotiva
A motivação para a prática de atividade física pode ser vista como resultado de fatores intrínsecos (gosto, satisfação pessoal, prazer) e extrínsecos (reconhecimento social, aparência, obrigação) — e a manutenção do hábito está muito ligada aos fatores intrínsecos.
Por exemplo, no estudo com praticantes de academias, constatou-se que a dimensão “Saúde” foi a que mais motivou os participantes. Outro estudo com idosos mostrou que os principais motivos eram melhorar ou manter a saúde, ter contato social, aprender novas atividades e elevar a autoestima.
Ao mesmo tempo, fatores desmotivantes podem ser: dor persistente, falta de suporte, ambiente pouco agradável, falta de resultados visíveis ou comparação com outros mais jovens.
Dica prática: Pergunte a si mesmo ou oriente seu cliente/paciente: “Por que eu quero praticar atividade física?” e “O que me impede hoje?”. Anotar essas respostas já cria consciência — um passo importante para manter a motivação.
2. Estabeleça metas claras e realistas
A teoria da fixação de objetivos (Teoria da fixação de objetivos) aponta que metas específicas, mensuráveis e desafiadoras — mas realistas — ajudam a manter a motivação.
Para o público da terceira idade ou com limitações articulares, isso significa: não “vou ficar maromba” ou “vou correr 10 km em 1 mês”, mas sim “vou caminhar 20 minutos, 3 vezes por semana, nas próximas 4 semanas” ou “vou fazer 2 sessões de alongamentos por semana durante 6 semanas”.
Dica prática: Use o modelo SMART — Specific (específica), Measurable (mensurável), Achievable (atingível), Relevant (relevante), Time-bound (com prazo). Exemplo: “Vou fazer ginástica adaptada para artrose na manhã de terça e quinta, 30 minutos, durante 8 semanas”.
3. Crie rotina e hábito
A motivação pode variar de dia para dia, mas o que sustenta a prática a longo prazo é a rotina. Conforme relatos em fóruns de atividade física, muita gente diz que “quando não tenho vontade, eu vou assim mesmo — porque virou rotina”.
E estudos com idosos confirmam: frequência e duração da prática estão associadas a motivos como bem-estar, afiliação, prevenção de doenças.
Dica prática: Escolha dias e horários fixos para a atividade (exemplo: segunda e quarta, 9h). Prepare o “kit” (roupa, tênis, água) no dia anterior. Quanto mais “pré-programado”, menor a chance de pular.
4. Varie a atividade e torne-a prazerosa
Quando a atividade vira monótona, a motivação tende a cair. Para pessoas com artrose ou dores no nervo ciático, é ainda mais importante adaptar: escolher modalidades com baixo impacto, variar entre caminhada, hidroginástica, ginástica adaptada, alongamentos, etc.
Estudos apontam que a sociabilidade (fazer junto com outros), o prazer e a sensação de competência aumentam a adesão.
Dica prática: Faça um “menu” de 3-4 atividades que você gosta. Exemplo: terça-feira: caminhada leve; quinta: ginástica adaptada; sábado: alongamento em grupo ou passeio ao ar livre. Alterne a paisagem, o horário ou o companheiro para tornar o momento mais leve.
5. Monitore o progresso e celebre pequenas vitórias
Ver os resultados — mesmo que pequenos — reforça a motivação. Pode ser menor dor, mais disposição, subir escadas sem sentir tanto incômodo.
Dica prática: Use um quadro ou aplicativo simples para marcar cada sessão feita e o nível de dor/disposição antes e depois. A cada 4 semanas revise: “Como estou me sentindo? A dor diminuiu? A mobilidade melhorou?”. Celebre com algo simbólico: um café especial, um passeio diferente, escolher uma música nova.
6. Entenda e aceite os dias de baixa motivação
É normal haver dias sem vontade ou com desânimo. O importante é ter “planos B”. Por exemplo: se o treino de 30 minutos for demais, faça 10 minutos apenas; se a dor estiver maior, foque em alongamentos leves ou mobilidade.
Aceitar que nem todo dia será ótimo ajuda a evitar o abandono completo.
Dica prática: Tenha uma lista de “mini-atividades” para dias críticos: 5 minutos de mobilidade, 10 minutos de caminhada na casa ou no quintal, respiração consciente. Isso mantém a “janela aberta” para voltar.
7. Busque suporte e ambiente favorável
Um ambiente que estimula e apoia (amigos, grupo, profissional, música) facilita a aderência. Em populações com dores ou limitações, a presença de um profissional (como você) que entende e adapta os treinos é diferencial valioso.
Estudos indicam que o suporte social é um fator importante para manutenção da atividade.
Dica prática: Convide um amigo ou familiar para acompanhar as sessões; participe de grupos de caminhada ou ginástica; ou registre-se em cursos adaptados para terceira idade. Ambiente favorável = motivação reforçada.
Conclusão
Manter a motivação para praticar atividade física não depende apenas de “ter vontade” todos os dias — depende de propósito claro, rotina, prazer na atividade, suporte, monitoramento e adaptabilidade. Para seu público (idosos, pessoas com artrose, tendinites, dores no nervo ciático), essas estratégias são ainda mais importantes porque as barreiras (dor, limitação, medo) podem ser maiores.
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